“a praia do Flamengo, final dos anos 30.” (7:53 min.)

Prescilla: Mas não foi sempre assim. Eu me lembro, a praia do Flamengo, final dos anos 30.

Beyla: Mãe, a praia do Flamengo não tinha areia.

Prescilla: Deixa eu terminar de falar. A praia do Flamengo era uma mureta, como tem a Urca, e pedras.

Alexandra: Como tem a Urca.

Beyla: Como tem a Urca, exatamente.

Prescilla: Mas as famílias iam, frequentavam a praia do Flamengo, tinha um salva-vidas particular, um velho turco, chamado Felipe, ele alugava boiais, e as pessoas entravam na água com boia. Eu era criança, eu tinha chegado de São Paulo com 12 anos de idade, comecei a frequentar a praia, e não sabia nadar. A minha mãe combinou com esse Felipe para ele me ensinar a nadar, foi ele quem me ensinou a nadar. E água do Flamengo era limpa. A gente ia até um ponto em que ele tivesse pé, eu não tinha, mas ele estava me segurando, e ele me ensinou a nadar na praia do Flamengo.

Alexandra: Lindo.

Prescilla: Nos anos 30.

Alexandra: Então era transparente.

Prescilla: Era água limpa.

Beyla: Mas naquele tempo o esgoto saia ali, não né?

Prescilla: Não sei, isso nunca cheguei a saber, eu sei que as famílias todas frequentavam a praia do Flamengo. Tinha uma escadinha para os dois lados, desciam para cá, desciam para lá e se acomodavam nas pedras. Forravam as pedras com panos, com toalhas, enfim, para não machucar, e ninguém sentia falta de areia ali. E a água que chegava até as pedras era rasinha, era uma água rasa que as crianças podiam entrar. Então, quando começava o mar, tinha areia, depois então vinham as pedras.

Alexandra: E você via baleia, se lembra de baleia?

Prescilla: Não, nunca.

Beyla: Eu me lembro de uma baleia que encalhou quando eu era criança, uma baleia que encalhou acho que lá perto da cidade, a gente foi ver essa baleia. Não me lembro quantos anos eu tinha, eu era criança.

Prescilla: Não tenho lembrança. Não tem memória melhor do que a minha, eu não tenho lembrança, eu não tenho lembrança de baleia.

Beyla: Não me lembro quantos anos eu tinha, mas tinha uma baleia encalhada, imenso, um negócio enorme, monstruoso, e nós fomos ver.

Alexandra: Na cidade?

Beyla: No final da praia do Flamengo, lá perto da cidade.

Alexandra: Da marinha da Glória.

Beyla: É, por ali.

Prescilla: Onde seria o Museu de Arte Moderna.

Beyla: Não, não sei se era tão longe assim, não tinha o aterro, era uma coisa mais para o lado de lá.

Alexandra: Mas deve existir fotos. Isso seria que ano mais ou menos? Você não sabe . . .

Beyla: Não lembro, eu era criança.