Eliene

“vamos melhorar este mundo” (7:08 min.)
09/12/2015

Alexandra: O que você quer? Para o Natal?
Eliene: Começo do ano, ano novo, vida nova, vamos começar a lutar pela Baía de Guanabara, Urca, pelas plantas, lógico, pelo ser humano que está nascendo.

Nós estamos já vividos, e nós vamos ter que lutar para dar vida aos que estão nascendo, principalmente os seres humanos que somos nós e os bichos, e também o ser humano. Conversam comigo, eu também converso com eles. E vamos reunir uma vez no mês, duas vezes no mês, lutar para a gente conseguir construir um mundo melhor, 2016, tem que ser melhor, melhor que 2015.
Alexandra: Começando com…
Eliene: Começando pela Baía de Guanabara, praia da Urca, todas as praias que estão poluídas, não é só aqui, o Leme, muitos lugares que estão poluídos.
Alexandra: Tudo conectado.
Eliene: Vamos ter que fazer uma reunião, duas vezes no mês, vamos lutar, tem barco aí, vamos sair catando, vamos nesses hotéis, restaurantes que estão poluindo a praia, fazer pagar multa e com dinheiro a gente vai ter que limpar, construir, ajudar as pessoas que estão mergulhando para poder fazer a limpeza. Eles precisam de dinheiro para comprar equipamento, roupa. Nós já vivemos, e quem está nascendo? Vai viver de que? Nós não vamos estar aqui para lutar para poder ajudar a criar, não vamos.
Alexandra: Não tem água.
Eliene: Não tem água, sede e fome. Se você conseguir comida para você, e ela? Você vai ter que dividir para ela, você e a sua parte.
Alexandra: Certo, é pouca coisa.
Eliene: Não é pouca coisa, não. Se eu conseguir comida, e meu marido, vai ter que dividir, Michel, eu, Nil e a minha gatinha, menininha, é difícil. A gente gasta dinheiro com presente, com festa, com luxo, se arruma daqui, se estica dali, fica difícil. A gente tem que pensar melhorar o futuro, daqui para frente, atrás já passou. Eu penso assim.
Alexandra: Eu também.
Eliene: Está bom?
Alexandra: Muito lindo, obrigada.
Eliene: Para o ano, vamos começar o ano já com a cabeça erguida, vamos melhorar essas praias . . . dá tristeza quando vejo.
Alexandra: Imagina, peixe, limpo, bom de comer, isso dá comida para tantas pessoas. Praia que dá para botar roupa de banho, entrar na praia e nadar.
Eliene: [?] Dava um mergulho, voltava, tomava um banho, vestia roupa, ia trabalhar, agora não pode, nem pisar! É difícil, só Deus, só ele, mais ninguém.
Alexandra: Mas é uma ótima ideia.
Eliene: É, isso é sério, vamos ter que . . .
Alexandra: Tentar unir e fazer alguma coisa.
Eliene: É sério. A minha vida é brigar com o povo na praia de manhã.
Alexandra: É?
Eliene: É! Eu fiz um homem apanhar a garrafa que ele jogou na praia, fiz ele apanhar. Falei: “se tu não apanhar, eu vou tu fazer apanhar a pulso. Vai agora pegar a garrafa de cerveja que você jogou, agora”. Tinham dois rapazes assim, ficou me olhando. “Agora, quem tá te falando sou eu”. Foi, minha filha, peitei ele. O moço: “isso mesmo, senhora, isso mesmo, dá mole a ele não”. “Não é porque eu estou com o chinelo na mão, que eu te dou com chinelo, corre”.
Alexandra: Vem cá, fala o que você fez com o esgoto?
Eliene: Nós estamos esperando melhorar o tempo.
Alexandra: Em casa?
Eliene: Porque com esse tempo não dá como cavar, está chovendo, vai encher ali mais de lama. Agora encheu tudo de terra, a tubulação.
Alexandra: Tem que refazer?
Eliene: Os tubos já estão lá, já compramos os tubos. Só de tubo foi R$ 300 e pouco.
Alexandra: Mas não tinha feito ainda?
Eliene: Não. Tem que comprar [aterro]*, cimento e pedra. Agora esperar melhorar o tempo para a gente começar. Aí vai tirar o [banheiro]*, vai tirar o box, a instalação de esgoto de trás, porque a instalação de esgoto é tudo, é do box, do vaso, aí a conexão da pia da cozinha, do tanque e da máquina.
Alexandra: Tudo junto?
Eliene: Daí desce um esgoto só.
Alexandra: Por enquanto não tem nada? Não tem esgoto?
Eliene: Está saindo água, desce água, mas tem que fazer logo a obra.
Alexandra: Mas vai para onde então?
Eliene: Para o esgoto pluvial da rua. O que está acontecendo, a água pluvial está voltando. Lá embaixo o tubo é desse tamanho, a mangueira.
Alexandra: É pequeno.
Eliene: É pequeno, não está vazando a água descer toda. A água está voltando, a água está entrando pelo banheiro. Aí enche o box, ela vaza para o lado de cá, aí entra, corredor adentro, vai lá para meu quarto.
Alexandra: Que horror. Mas você não está pronta para mudar?
Eliene: Eu pulava que nem caranguejo.
Alexandra: Ai, horror.
Eliene: E o rato nadando na água…
Alexandra: Não, ai, Elien…
Eliene: Fechava a porta do quarto, lá dentro do quarto, sozinha, e o rato lá passeando, passando, muito raro. E a rua, rato, barata… uhhhh, que nojo que deu, e o medo que eu fiquei.
Alexandra: Você não quer vender a casa e mudar?
Eliene: Quem me dera.
Alexandra: Porque não?
Eliene: [?] não sai, não. O melhor lugar que tem para se morar.
Alexandra: É? Mesmo com rato flutuando, nadando na casa?
Eliene: A Neide aterrou já a área dela, o João que fez o trabalho lá, agora a gente esperar melhorar o tempo para poder comprar aterro. Janeiro, falei para ele, comprar aterro, aterra logo o banheiro, quando a água vier, não entra, vamos aterrar o banheiro, aterrar a área lá da frente, tem que tirar a porta da frente e botar do lado.
Alexandra: Será que não estava melhor quando você tinha aquela graviola? Protegia a casa?
Eliene: Poxa, quem dera. Graviola estava invadindo a casa da Neide. Né, Penélope, vamos lutar, Penélope. Você também já está encaminhada quando a gente for, tá?
Alexandra: Tá.
Eliene: Vamos correr atrás, vamos melhorar esse mundo.