Ricardo Gomes

Ricardo Gomes

O santo da Baía conhece ela por baixo. Mergulha de noite, só, quebrando a regra de ouro do mergulho (“não mergulharás sozinho”). A 12 metros de profundidade, aos pés do Pão de Açúcar, teve uma eureca. Desligou a luz e ficou na mais completa escuridão; não se via as mãos. Ali, naquela noite, se sentiu parte do oceano, uma centelha entre milhões e milhões que migram pelo universo milhares e milhares de anos. Naquele momento, o tempo mudou. Antes, e depois.

Antes ele tinha uma equipe para gravar casamentos de um milhão de reais. Se assegurava que os seus homens, em festa de brancos, comeram como reis no Copacabana Palace. Comprou apartamento, ganhava com o um desembargador. Mais isso era muito pouco. Aquela noite compreendeu que, no máximo da humildade, ele era mais ambicioso que nunca. O homem que pratica santidade no oceano quer deixar uma Baía limpa para sua filha, e que um dia ela olhe para ele e diga: você, papai, teve coragem.

Alexandra

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