Pellé

Quando conhecemos o Giuseppe Pellegrini, já sabíamos de sua reputação como montanhista e engenheiro emérito do Bondinho, que há anos projetou a adoção da pista Claudio Coutinho pela Companhia Aérea do Pão de Açúcar. Ele é um homem elegante e vigoroso, de camisa jeans, um cowboy das montanhas, e nos recebeu na sala de conferências dos engenheiros no Morro da Urca. O que mais nos surpreendeu desse Renaissance Man, além de sermos vizinhos de rua na Urca, foi a sua invenção de um sistema original de transporte de água e de esgoto para os quase 5.000 visitantes diários ao Pão de Açucar.

E a história de vida do Pellegrini? Uma conversa simpática sobre os seus quatro casamentos, uma viagem de combi até o Alaska nos anos 60, um homem que faz as compras na feira da Urca nos domingos porque “a cozinha é uma das áreas mais importantes da minha atuação”, onde tem uma coleção de mais de 40 facas. Pellegrini nasceu em Bagni di Lucca, na Itália, e chegou orfão no Brasil em 1947, aos 9 anos.

Quando você fala em economia de guerra para poupar e fazer aquela viagem para o Alaska, você passou a infância na guerra?
“É, eu nasci em 38, a guerra começou em 39. . . Pois é, é ali, nasci ali e passei todo o período da guerra. Então vivi a guerra e a pós-guerra que às vezes é até pior que a guerra, dependendo do período, fome, tal. A nossa região ali foi meio que salva pelas castanhas, essas castanhas de Natal, tinha muita produção de castanha, bosque de castanha. Havia até um conceito, que a castanha que caia na trilha, embora tivesse proprietário, você apanhava; mas independentemente disso, era uma coisa relativamente barata, muito energética, inclusive você comia castanha natural, castanha cozida ou fazia farinha de castanha, waffle de farinha de castanha, fazia torta de farinha de castanha, era farinha de castanha até dizer chega”.

E sobre a Urca? “Estou morando aqui já faz um tempo considerável, perto de 20 anos talvez, não só pela facilidade de onde trabalho, mas independentemente disso, é um local muito tranquilo, dentro do Rio de Janeiro violento que é hoje, é uma ilha privilegiada, vamos dizer assim. O meu apartamento não é grande, não tem nem elevador, tem 60m², mas para mim . . . E a área de criação, a gente chama de escritório avançado, local de criação. Nós usamos dois lugares, é o bar Belmonte, e também esse que a gente chama bar da Cabine, que é o Urca Grill, aquele na frente da cabine . . .”

E a relação do Pellegrini com a Baía de Guanabara? “É amigável no sentido visual, e eu acho uma pena a poluição que ela está, é uma grande pena. Na realidade, meu esporte não é muito aquático, sempre fui de montanha, então eu sempre fui para montanha, montanha, na Urca a sorte que tem uma do lado . . . o Pão de Açúcar já escalei mais de 3.500 vezes, eu trabalhando aqui, todo dia, agora não mais, mas durante muitos anos era todo dia, pelo menos uma vez, eu cheguei a escalar quatro vezes num dia!”

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