Carlos Henrique Siqueira

Carlos Henrique Siqueira

Carlos Henrique Siqueira tem uma namorada eterna: a ponte Rio-Niterói, onde trabalha
como engenheiro desde 1972. A sua grande paixão é cuidar da rainha das pontes brasileiras e fazer com que seja uma dama longeva num mundo com quase 3 milhões de pontes. As histórias que ele tem para contar ninguém imagina. Na Urca, que bem parece uma cidade de interior e onde ele mora desde que chegou da Paraíba, é conhecido como Carlos Henrique da Ponte.

As pontes envelhecem como as pessoas?
“Todo mundo quer viver muito, mas não quer envelhecer. Ainda não se descobriu, eu gostaria de descobrir as águas da fonte de Ponce de León, que você bebia e rejuvenecia. O dia que eu achar isso, pode ter certeza que eu vou tomar e dividir meu tempo entre a Urca e João Pessoa e a ponte Rio-Niterói.”

Como era a Baía de Guanabara?
“Antigamente, quando eu comecei a fazer vistoria da ponte Rio-Niterói, em 1979, a gente ia
num barco aberto, devagarzinho, às vezes, piraúna, desse tamanho, pulava e caia dentro do barco, não precisava nem pescar. Os peixes vinham, vupt, e caiam dentro do barco. Também tinham mergulhadores que trabalhavam nas fundações da ponte. Os caras mergulhavam, as vezes sem nada, demoravam um minuto, dois, daqui a pouco ele subia com um polvo todo enrolado no corpo dele, chegava no barco, abria a mão, ‘tira esse polvo daqui’, as ventosas do polvo, polvo enorme.”

Imagina uma vida depois da ponte?
“O meu projeto de vida, no apogeu da minha idade, não posso precisar, mas no ocaso da minha vida, eu quero morar numa cidade do interior da Paraíba, não em João Pessoa que é uma capital grande para mim, quero morar numa cidade do interior pequena. Vou ter minha casa, minha televisão, lógico, minha net, computador, isso não pode faltar, e vou colocar uma placa na porta: “Reforço escolar gratuito, crianças até 12 anos”. Ninguém precisa me pagar nada, o pagamento é aqueles meninos serem os melhores da turma. Vou ensinar de graça, esse é o meu projeto de vida.”

Alexandra

Deixe uma resposta